EDITORIAL

Ao idealizar esta revista eletrônica, a Academia dos Imortais do Rio Vermelho procurou produzir um veículo centrado numa linha editorial que identificasse, de imediato, a vocação inalienável do bairro. O trinômio história-cultura-turismo veio logo à tona, pois é peça fundamental em qualquer definição sobre o Rio Vermelho.


A história do bairro é muito rica. Começou em 1509, com Caramuru, e foi sendo, ao longo dos séculos, acrescida de fatos relevantes, que estão inclusive a merecer estudos profundos e registros pormenorizados, para que sejam resgatados e valorizados com toda a intensidade.


A cultura é outra fonte inesgotável de valores. Não foi à toa que o Rio Vermelho ficou conhecido como “o bairro dos artistas”. Isso sem falar nas manifestações populares e religiosas, do passado e do presente. Há de se destacar ainda os equipamentos culturais encontrados no bairro: as galerias de arte, o Teatro Sesi, a Biblioteca Juracy Magalhães Júnior e o Museu do Presépio, nascido do idealismo de um antigo morador, o engenheiro Celso Oliva.


O turismo no Rio Vermelho também é histórico. Começou no século XIX, com os veranistas. Esses turistas pioneiros foram os responsáveis pelas festas que se transformaram em grandes atrações no período do verão. Depois, pelas mãos dos pescadores, surgiu a Festa de Yemanjá, hoje de repercussão nacional e internacional.


Mas o bairro não vive somente da festa do dia 2 de fevereiro, que é o seu evento famoso. O turismo no Rio Vermelho é praticado todos os dias, ininterruptamente. Suas atrações permanentes são a Casa de Yemanjá, os barzinhos com mesas ao ar livre, os pubs e os restaurantes espalhados por toda a parte, principalmente entre a Fonte do Boi e a Paciência. Se durante o dia esse trecho da orla é um movimentado centro de comércio e serviços, à noite transforma-se num fervilhante reduto da boêmia, freqüentado por pessoas das mais diversas procedências.
Também merece destaque a presença da Dinha, uma riovermelhense da gema, nascida numa maternidade que ficava no Morro do Menino Jesus, com entrada pela Rua Marquês de Monte Santo. De origem humilde, foi transformada numa celebridade das mais festejadas, graças ao pertinaz trabalho num tabuleiro de acarajé e abará, que comanda no Largo de Santana. O nome desse espaço público, uma homenagem à santa padroeira do Rio Vermelho, tem sido inclusive ofuscado pelo brilho da baiana famosa. Para inúmeros soteropolitanos e turistas é o Largo da Dinha.
Pela localização privilegiada, o Rio Vermelho tornou-se um importante pólo hoteleiro. Possui quatro hotéis de grandes cadeias internacionais: Pestana Bahia, Blue Tree Towers, Ibis e Mercure, todos localizados nos domínios da antiga Fazenda Alagoa, cujo proprietário, Adolpho Moreira, foi o maior filantropo que o Rio Vermelho teve em toda a sua história. Fora das terras que pertenceram a esse rico comerciante, estão os hotéis controlados por empresários baianos: Bahia Park Hotel, Catharina Paraguaçu e Mar Hotel.
Feita essa retrospectiva, para situar o leitor nos fundamentos da linha editorial que será sempre adotada nesta revista, a Academia dos Imortais do Rio Vermelho assume o compromisso de ampliá-la, pois o Rio Vermelho possui muitas atrações para serem divulgadas. Além de centrar as matérias no trinômio história-cultura-turismo, a publicação constituir-se-á também num veículo de interação com a comunidade globalizada.
Por último, a informação de que a proposta prioritária da Acirv é a construção do Memorial Caramuru, um portal para o turismo histórico e para perpetuação da memória do Descobridor do Rio Vermelho e Patriarca da Bahia.


Diretoria da Acirv

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